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Apesar de ser uma das maiores economias do mundo e um importante fornecedor de produtos agrícolas, energia e minerais essenciais, o Brasil passou grande parte da última década à sombra de mercados globais de rápido crescimento. Embora o capital investidor tenha buscado retornos em outros lugares, aproveitando a escala da China, a inovação da Coreia do Sul e a história de crescimento estrutural da Índia, o Brasil passou por transições políticas e recalibração fiscal recebendo muito menos atenção dos alocadores globais.

Hoje, o cenário macro do país parece cada vez mais diferenciado nos mercados emergentes (MEs). O desemprego está próximo de mínimas de vários anos, os salários médios estão em níveis recordes e a inflação esfriou o suficiente para que os legisladores sinalizem que o tão esperado ciclo de flexibilização pode começar já em março.

Até meados de fevereiro, os índices gerais de mercados emergentes avançaram mais de 7% no acumulado do ano, em comparação com uma queda de aproximadamente 0,08% no S&P 500, sugerindo que a força que definiu os MEs em 2025 se manteve em 2026.1 Nesse cenário, o Brasil se destacou. Seu mercado de ações subiu cerca de 24% no acumulado do ano, superando os benchmarks mais amplos de mercados emergentes em aproximadamente 16 pontos percentuais.2Contudo, o Brasil ainda representa menos de 5% dos principais índices de mercados emergentes, ressaltando o quão subalocado o mercado permanece nos portfólios globais.3

O apetite renovado se traduziu em fluxos. Os ETFs com foco no Brasil atraíram aproximadamente US$ 3,4 bilhões nos últimos três meses, com entradas líquidas equivalentes a mais de 20% dos ativos iniciais sob gestão.4

Liderança setorial: Concessionárias lideram, cíclicos reaceleram

O real brasileiro também se estabilizou em relação ao dólar americano após um período de volatilidade, reforçando a confiança dos investidores estrangeiros. Uma moeda mais sólida ajuda a conter a inflação ao reduzir os custos de importação e apoiar o poder de compra, embora a valorização sustentada possa pesar sobre a competitividade das exportações nas principais exportações, apresentando uma compensação diferenciada para os legisladores.

A liderança de desempenho vem se ampliando. Em 2025, as concessionárias foram o setor de melhor desempenho do Brasil, gerando retornos totais acima de 80% e se beneficiando de características defensivas de fluxo de caixa e estruturas de preços regulamentadas. Os setores de finanças e de materiais também registraram fortes ganhos.5 Essa força não é puramente defensiva. Conforme a adoção corporativa da inteligência artificial (IA) acelera nos serviços financeiros, no agronegócio e nos serviços públicos, a disponibilidade de energia e a confiabilidade da rede estão se tornando restrições obrigatórias para a expansão global do data center. O setor de serviços públicos do Brasil é visto como uma infraestrutura estratégica nessa construção de IA.

Mais recentemente, as exposições cíclicas, especialmente materiais e energia, ganharam impulso conforme os preços das commodities se estabilizaram e os investidores anteciparam eventuais cortes nas taxas. O mercado de ações do Brasil continua fortemente inclinado para materiais, energia e finanças, posicionando-o bem para uma recuperação cíclica mais ampla.

Apesar dos recentes esforços no comércio agrícola entre EUA e China, como as compras negociadas de soja americana sob uma trégua comercial, a dinâmica comercial continua favorecendo a oferta brasileira. Durante grande parte de 2025, a China representou quase 80% do total das exportações de soja do Brasil, destacando seu papel dominante em uma das maiores categorias de exportação agrícola do Brasil.6 Embora a China tenha delineado ambições para reduzir a dependência da soja importada ao longo do tempo, restrições estruturais, como terras limitadas para plantio, sugerem que uma substituição significativa das importações seria bastante gradual. Por enquanto, o Brasil continua sendo fundamental para a cadeia de suprimentos da China. A trajetória de alta das exportações brasileiras continuou até o último trimestre de 2025, com as exportações de mercadorias avançando cerca de 17% ano a ano.7

Diante da incerteza das tarifas dos EUA, o Brasil demonstrou resiliência e adaptabilidade no comércio global. Enquanto as exportações para os Estados Unidos diminuíram drasticamente no final de 2025 (queda de 38% em outubro em relação ao ano anterior), as exportações para a China aumentaram 33% no mesmo período, compensando efetivamente a fraqueza da demanda dos EUA.8 Diversificação adicional pode vir da Europa. No início deste ano, a União Europeia chegou a um acordo comercial negociado há muito tempo com o Mercosul, o bloco comercial sul-americano que inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Enquanto a ratificação final ainda está pendente, espera-se que o acordo avance provisoriamente, abrindo as portas para laços comerciais mais fortes entre as duas regiões. As exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia poderiam ter um aumento estimado de quase 80% sob o acordo.9

A China entra em cena: Preenchendo a lacuna das exportações do Brasil para os Estados Unidos

Exportações do Brasil para os principais parceiros comerciais

30 de novembro de 2020 a 30 de janeiro de 2026

Observação: As exportações do Brasil para a China aumentaram 17,3% ano a ano (A/A), enquanto as exportações para os Estados Unidos diminuíram 25,5% A/A em janeiro de 2026. Fonte: FactSet, MDIC.

Para o Brasil, essa dinâmica é construtiva. A crescente demanda da China (não apenas por soja, mas por minério de ferro e outras commodities essenciais) ajuda a sustentar as receitas de exportação e a proteger a economia contra a volatilidade nos mercados desenvolvidos. Além das commodities, a matriz energética do Brasil está entre as mais limpas do mundo, com as energias renováveis representando cerca de 90% de sua geração de eletricidade.10 Essa vantagem de energia limpa é cada vez mais relevante para a infraestrutura de IA em escala empresarial e o Brasil surgiu como um importante centro de IA na América Latina. Com mais de 7.000 quilômetros de litoral, o Brasil também tem acesso direto aos principais sistemas de cabos submarinos que ligam as Américas, a Europa e a África: uma vantagem cada vez mais importante conforme a intensidade de dados e o tráfego digital transfronteiriço se expandem.

Ventos domésticos e impacto das políticas

Internamente, as recentes medidas políticas impulsionaram o sentimento econômico de curto prazo. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) implementou uma nova isenção de imposto de renda que reduz quase pela metade o número de brasileiros que pagam imposto de renda. Prevê-se que a medida injete cerca de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões na economia este ano. Essa medida, uma promessa marcante da campanha de Lula, impulsionou o poder de compra do consumidor e pode aumentar os ventos econômicos antes da eleição presidencial do Brasil em outubro de 2026.

Política monetária: Flexibilização cautelosa no horizonte

O banco central do Brasil manteve uma alta taxa de referência (Selic) em torno de 15%, a mais alta em quase duas décadas. As previsões dos economistas sugerem espaço para cortes nas taxas nos próximos meses, conforme a inflação se modera. Se implementadas, taxas de juros mais baixas poderiam apoiar o consumo, o crescimento do crédito e o investimento doméstico, que são os principais impulsionadores dos setores cíclicos do Brasil. Um ambiente de taxas mais baixas também pode apoiar uma rotação em ações.

A perspectiva do Brasil, no entanto, não é isenta de restrições. Sua posição fiscal continua sendo um obstáculo estrutural. Prevê-se que a dívida pública se aproxime de altos níveis no final desta década, impulsionada pelos gastos obrigatórios com pensões e despesas fiscais. Embora as reformas recentes tenham introduzido a tributação de dividendos e reduzido algumas isenções, mudanças estruturais mais profundas (especialmente uma reforma previdenciária abrangente e uma ampla racionalização da base tributária) permanecem politicamente difíceis. Os desafios fiscais permanecem e a execução das reformas exigirá disciplina política. Ainda assim, com a melhoria das condições domésticas, a demanda externa favorável e os fluxos de capital renovados, acreditamos que o Brasil está passando de negligenciado para cada vez mais atraente nas alocações de mercados emergentes.



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