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Principais conclusões

  • As revisões para cima que agradaram consumidores e empresas dos EUA, o início de um ciclo de corte de taxas e uma mudança agressiva na política chinesa aumentaram as chances de o Federal Reserve “cravar a saída” e prolongar a expansão econômica.
  • O tão esperado ciclo de cortes do Fed finalmente começou, e a história mostra que ele deve levar à recuperação na atividade econômica na primeira metade de 2025. Nos pousos suaves anteriores, os investidores foram recompensados por terem assumido exposição em ações no ano seguinte ao corte inicial das taxas.
  • Acreditamos que a recente rotação de liderança em ações é uma prévia do que deve continuar acontecendo nos próximos trimestres, já que uma economia em aceleração torna o crescimento dos lucros menos escasso e ajuda a impulsionar uma participação mais ampla no mercado.

Catalisadores recentes aumentam a probabilidade de expansão contínua

Um dos aspectos mais importantes de um ginasta é conseguir “cravar a saída” no final do exercício, mantendo controle total e equilíbrio sem pisar fora dos limites. Na história, é raro o Banco Central “cravar a saída”, ou seja, prolongar uma expansão, devido às defasagens da política monetária, à natureza imprevisível dos choques exógenos e à não linearidade das desacelerações. Porém, acreditamos que três acontecimentos importantes no mês passado ajudam o Fed na tentativa de “cravar a saída”. Esses acontecimentos são: 1) revisões para cima que agradaram consumidores (e a América corporativa); 2) uma mudança agressiva da política chinesa e 3) o início de um ciclo de corte de taxas.

Consumidores e América corporativa mais saudáveis

A primeira foi a revisão anual das contas econômicas nacionais, incluindo o PIB dos EUA, que mostrou que a economia estava mais forte do que se imaginava anteriormente, com consumo, renda pessoal e lucros corporativos mais fortes. Essa tendência parece indicar uma continuação da estimativa GDPNow do Atlanta Fed para o crescimento econômico no terceiro trimestre de 2024 de 3,1%.

Ao longo dos últimos trimestres, surgiu uma narrativa de que os consumidores americanos estavam nas últimas e que estavam precisando usar cartões de crédito e suas economias para conseguir pagar as contas. Porém, os dados refutam essa noção e, em termos agregados, o consumidor americano parece bastante saudável. O patrimônio líquido das famílias aumentou em US$ 47 trilhões em comparação com pouco antes do início da pandemia, enquanto a renda pessoal cresceu em 5,6% no último ano. Com o crescimento do consumo em um ritmo semelhante, porém ligeiramente mais lento, a taxa de poupança foi revisada para 4,8% de acordo com as normas históricas e é um sinal positivo de que o consumidor não está tão sobrecarregado como se supunha anteriormente. Esse dado também é consistente com a alavancagem do consumidor, que se manteve estável nos últimos cinco anos após um declínio significativo pós-crise financeira global que pesou sobre o crescimento econômico na década de 2010. Especificamente, o índice de endividamento das famílias em relação à renda disponível está em 97% no momento e se mantém estável desde o início da pandemia.

Gráfico 1: Desalavancagem do consumidor concluída

“GFC” significa crise global financeira. A área sombreada em cinza marca períodos de recessão. Dados de 12 de setembro de 2024. Fontes: Federal Reserve, NBER, Macrobond.

As revisões do PIB da semana passada também revelaram um setor corporativo mais saudável do que o esperado. As margens de lucro foram revisadas para cima, o que é um bom sinal para a continuação da expansão econômica dos EUA e para o mercado de ações. Margens de lucro saudáveis e em expansão sugerem que as companhias estão sob menos pressão para reduzir custos e demitir trabalhadores. Historicamente, os lucros estabilizaram mais de um ano antes das recessões e, em média, começaram a cair nos dois trimestres antecedentes à recessão. Em contrapartida, o passado recente parece bem diferente, com os lucros (e as margens) corporativos se expandindo em um ritmo saudável.

Gráfico 2: Os lucros não parecem estar em recessão

* Nota: Lucros de empresas não financeiras com IVA e CCAdj (valor agregado bruto), de 1965 ao presente. Fontes: BEA, Bloomberg, NBER.

Em função das revisões do PIB, a perspectiva de um ciclo de demissões parece ser o principal risco enfrentado pela economia. Dados recentes sugerem que as demissões não estão acelerando; na verdade, estão desacelerando. Há muito tempo, nós nos referimos ao indicador inicial de pedidos de seguro-desemprego no painel de risco de recessão criado pela ClearBridge como “canário econômico na mina de carvão”. Com os pedidos de seguro-desemprego caindo consideravelmente na virada do verão para o outono, o canário parece estar cantando bem alto, ou seja, ele está vivo e bem. A melhora para verde desse indicador no mês passado continua sendo a mudança de sinal mais recente, sem nenhuma mudança neste mês e com a leitura geral permanecendo em território verde expansionista.

Gráfico 3: Indicadores de risco de recessão nos EUA

Dados de 30 de setembro de 2024. Fonte: BLS, Federal Reserve, Census Bureau, ISM, BEA, American Chemistry Council, American Trucking Association, Conference Board e Bloomberg. O painel de risco de recessão foi criado pela ClearBridge em janeiro de 2016. As referências aos sinais que ele teria enviado nos anos anteriores a janeiro de 2016 são baseadas em como os dados subjacentes foram refletidos nos indicadores de componentes na época.

A política chinesa dá uma guinada

O segundo desenvolvimento importante foi a mudança de política do governo chinês. Nos últimos anos, a China vem tentando desacelerar o seu mercado imobiliário, o que tem pesado sobre o crescimento econômico, os preços das commodities e a confiança do consumidor e das empresas chinesas. Entretanto, a semana passada pareceu marcar uma inflexão com o anúncio de uma série de medidas de estímulo monetário e o início de um pacote fiscal. São necessários mais estímulos, mas essa guinada dramática já impulsionou o mercado de ações chinês e deve dar um impulso positivo na economia global, assim como nas multinacionais dos EUA que atuam na China.

Os cortes nas taxas aumentam as chances de um pouso suave

A mudança na política de Pequim vem na sequência do início do ciclo de corte de taxas do Fed do mês passado, que é o terceiro acontecimento importante que aumenta as perspectivas de um pouso suave. O Fed elevou agressivamente as taxas para 5,5% e depois as manteve nesse patamar na tentativa de combater a inflação geracionalmente alta dos últimos anos. Em geral, a inflação cai depois que o Fed mantém as taxas em um território restritivo por um período prolongado, mas, nesse momento, a demanda já esfriou a ponto de, muitas vezes, ser tarde demais para o ciclo econômico, resultando em uma recessão.

Porém, desta vez, as interrupções no fornecimento foram um dos principais impulsionadores do pico da inflação pós-pandemia, o que é uma dinâmica atípica. Com a recuperação das cadeias de suprimentos e a normalização da economia após o choque da pandemia, a inflação diminuiu de forma duradoura nos últimos trimestres. Na verdade, é a maior queda não recessiva da inflação desde 1965 e, nos últimos três meses, o IPC básico chegou a um ritmo anualizado de apenas 1,2%, bem abaixo da meta de 2% do Fed. Isso abriu a porta para que o Fed começasse a normalizar a política em direção a uma postura mais neutra.

A desaceleração da inflação permitiu que o Fed começasse a reduzir as taxas, mas o ritmo e o destino final da política monetária parecem ter sido mais influenciados pela metade da meta máxima de emprego do mandato duplo do Fed. Apesar do consumo e da atividade econômica real continuarem desafiando as expectativas de uma desaceleração, o mercado de trabalho demonstrou uma brandura recente que reorientou a atenção do Fed e deu início ao processo de normalização com um movimento desproporcional de 50 pontos-base. Historicamente, os ciclos de demissões se movem de forma não linear, o que significa que os cortes para ajudar a conter as perspectivas de uma espiral descendente na mão de obra são adequados do ponto de vista do gerenciamento de riscos. Para isso, em agosto, o Presidente Powell afirmou claramente no seu discurso no simpósio anual de Jackson Hole que “não buscamos nem aceitamos uma desaceleração adicional nas condições do mercado de trabalho”.

Gráfico 4: Essa queda na inflação É diferente

A área sombreada em cinza marca períodos de recessão. Dados de 11 de setembro de 2024, mais recentes disponíveis em 30 de setembro de 2024. Fontes: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), NBER, Macrobond.

Normalmente, os cortes do Fed ocorrem quando a economia já está perdendo impulso. A política monetária é conhecida por agir com defasagens longas e variáveis, e a história mostra que a economia geralmente começa a responder aos cortes nas taxas seis meses depois. Embora os dados futuros ditem o caminho final da política monetária, é provável que haja vários outros cortes, o que cria a perspectiva de uma aceleração em 2025.

Gráfico 5: A economia precisa da ressuscitação do Fed

Ciclos de corte de taxas de pelo menos 75 pontos-base que não ocorreram nos ciclos mais amplos de aumento. Dados de 30 de setembro de 2024. Fontes: BEA, Federal Reserve, FactSet

Os mercados parecem ter percebido a próxima rotação na política do Fed, com uma mudança na liderança começando a se desenvolver em meados de julho após a divulgação inesperadamente favorável do IPC em junho. Esses dados abriram o caminho para que o Fed iniciasse o ciclo de cortes. Nos últimos dois meses e meio, a liderança do mercado tem sido muito diferente do que foi visto em 2023 e no primeiro semestre de 2024. Especificamente, os investidores estão começando a favorecer áreas que se beneficiarão de uma reaceleração econômica, bem como de taxas mais baixas, incluindo valor em vez de crescimento, índices pequenos em vez de grandes, índices ponderados por igual em vez de ponderados por capitalização e o mercado mais amplo (o S&P 493) em vez das Magnificent 7.

Gráfico 6: A rotação já começou

Dados de 30 de setembro de 2024. Fontes: S&P, Russell, UBS e Bloomberg. Observação: “Mag7 vs. 493” é o retorno do preço relativo do UBS S&P excluindo as Magnificent 7; “Cap vs. Equal” é o retorno do preço relativo do S&P 500 x S&P 500 de mesma ponderação; “Large vs. Small” é o retorno do preço relativo do Russell 1000 x Russell 2000; “Growth vs. Value” é o retorno do preço relativo do Russell 1000 Growth x Russell 1000 Value.

Na verdade, as Magnificent 7 registraram um rendimento inferior de -11% em relação ao rendimento do S&P 493 (o restante do índice) desde esse lançamento. É importante ressaltar que o índice S&P 500 continuou avançando, refutando a noção de que as ações não podem subir sem que as Magnificent 7 liderem o caminho. Os retornos gerais do índice podem seguir mais moderados com o desenvolvimento das rotações, mas é importante observar que as ações dos EUA superaram o dinheiro por uma ampla margem no ano seguinte aos ciclos de corte anteriores que resultaram em pousos suaves. Considerando a queda dos rendimentos do mercado monetário e a probabilidade cada vez maior de uma expansão econômica contínua, acreditamos que os investidores sairão do espectro de risco nos próximos trimestres.

Alguns investidores podem recear aplicar dinheiro em ações com o S&P 500 mais alto de todos os tempos. Porém, a história mostra que esse receio pode ser equivocado. Quando o Fed cortou as taxas enquanto o S&O 500 estava a menos de 2% de um recorde histórico desde 1980, 12 meses depois, a referência foi positiva em 95% do tempo com um retorno médio de 13%.

Gráfico 7: Liderança de ações após o corte

Observação: Ciclos de corte de taxa de pelo menos 75 bps. Dados de 30 de setembro de 2024. Fontes: FactSet, Bloomberg, S&P, Russell, ICE BofA, NBER. O desempenho passado não é um indicador ou garantia de resultados futuros.

Gráfico 8: Cortes próximos aos máximos de todos os tempos são um bom presságio

Dados de 30 de setembro de 2024. Fontes: FactSet, Federal Reserve, S&P. O desempenho passado não é um indicador ou uma garantia de resultados futuros.

Acreditamos que a recente rotação de liderança é uma prévia do que deve continuar acontecendo nos próximos trimestres, já que uma economia em aceleração torna o crescimento dos lucros menos escasso e ajuda a impulsionar uma participação mais ampla no mercado. Embora tenhamos apresentado essa visão no último trimestre, os três principais desdobramentos positivos desde então (revisões para cima que agradaram consumidores e a América corporativa, uma mudança agressiva da política chinesa e o início de um ciclo de corte de taxas) devem ajudar o Fed a “cravar a saída”.



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