AUTOR

Frederico Sampaio, CFA
CIO de Renda Variável
Franklin Templeton Investimentos Brasil

Eduardo Bopp
Vice-Presidente, Portfolio Manager
Brasil Franklin Templeton Emerging Markets Equity
Franklin Templeton Investimentos Brasil
Fevereiro se mostrou ser um mês bem mais duro para os ativos domésticos do que se poderia imaginar. Dados conflitantes de inflação e atividade nas economias desenvolvidas frearam o ímpeto dos investidores estrangeiros por mercados emergentes de modo que se pôde observar uma pausa nos fortes fluxos externos para a bolsa brasileira. Na realidade, ao final do mês observamos inclusive uma saída de R$ 1,7 bilhão no período, frente a entrada de mais de 12 bilhões do mês anterior. Dado que não houve uma alteração relevante no comportamento dos investidores locais - que continuaram sua migração em direção à produtos de renda fixa - faltou sustentação para a bolsa. Mesmo negociando à múltiplos descontados, o Ibovespa caiu -7,5% e o índice de small caps retrocedeu -11,1% no período. O Real ficou estável frente ao dólar, mas a curva de juros continuou em sua trajetória ascendente, ainda refletindo os riscos em relação à política monetária e fiscal.
Um aspecto positivo, se é que pode ser colocado dessa forma, de toda essa discussão pública entre o presidente da República e o Banco Central sobre a meta de inflação, foi a urgência que se cristalizou em torno da necessidade de estabelecer uma âncora fiscal crível para o país. Anteriormente prevista para ser divulgada apenas para no final do ano, agora o ministro da Fazenda já fala em ter a nova regra fiscal aprovada pelo Congresso ainda no primeiro semestre de 2023. Apesar de ainda não termos muita visibilidade sobre os detalhes do plano, informalmente, integrantes do governo falam que será contemplado algum tipo de controle de gastos, ao invés de um ajuste apenas pelo lado das receitas. Caso se confirme, isso tende a ser bem recebido pelo mercado financeiro. Como já comentamos anteriormente, tendemos a acreditar que existe uma certa boa vontade, principalmente por parte de investidores estrangeiros, em relação ao governo eleito e, dada a atual conjuntura internacional, o nível de exigência em relação ao que deve ser entregue não parece extremamente elevado.
Infelizmente, enquanto aguardamos uma definição pelo lado fiscal, o crescimento econômico cambaleante e as taxas de juros elevadas começam a se fazer sentir nos lucros corporativos. Além disso, um evento microeconômico específico de fraude no balanço de uma grande empresa varejista contribuiu para secar a liquidez e aumentar os custos no mercado de crédito privado. Ou seja, não temos tempo a perder: a incerteza continua elevada e a ausência de gatilhos claros no curto prazo impedem uma recuperação mais duradoura na avaliação dos níveis depreciados em que os ativos domésticos estão sendo negociados.
QUAIS SÃO OS RISCOS?
Este material é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento ou oferta para a aquisição de cotas de fundos ou outros investimentos, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.
