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Em março, as classes de ativos financeiros brasileiros apresentaram comportamento antagônico. Por um lado, refletindo o ruído político e a recorrente preocupação com o quadro fiscal, o Real brasileiro se desvalorizou 0,6% e fechou o mês cotado a R$ 5,63 (tendo atingido R$ 5,87 em meados do período). Na mesma tendência, a curva de juros incorporou o cenário de altas mais significativas de taxas. O juro pré-fixado de 5 anos subiu 85 pontos para 8,41%, e o mesmo quadro se verificou nos spreads da NTN-Bs (a de vencimento 2050 subiu para 4,47%). Por outro lado, a despeito da deterioração vista no mercado de renda fixa, da escalada de casos de Covid-19 e das novas medidas restritivas, o índice da bolsa apresentou ótimo desempenho e subiu 6%, com detaque para as ações de empresas de commodities e de setores ligados à reabertura (bancos, shopping centers, empresas aéreas, etc.).

Consideramos que, na margem, houve uma sensível piora das perspectivas para a economia e mercados domésticos. No médio prazo, a decisão de revogar as condenações do ex-presidente Lula, além de contribuir para o quadro de insegurança jurídica, aumentou a sensação de risco para as próximas eleições com maiores possibilidades de guinadas populistas “da esquerda”. No curto prazo, o recrudescimento dos casos de Covid-19 abateu a recuperação econômica e aumentou a pressão por mais gastos públicos em um quadro fiscal já bastante delicado. Decerto, houve evidente avanço na agenda de reformas com a aprovação da PEC do auxílio emergencial e a aprovação de diversas medidas microeconômicas (como o marco do saneamento, lei do gás, etc), mas é difícil vislumbrar a possibilidade de aprovação de medidas com potência necessária para amenizar as fragilidades fiscais da economia brasileira.

Preferimos nos ater à exposição a empresas exportadoras que possuem uma maior aderência à economia global e que se beneficiam da moeda mais desvalorizada. Além disso, observamos a recente queda das ações dos setores de saúde e tecnologia como uma boa oportunidade para adicionar exposição a temas de crescimento mais robustos e que possuem elementos menos dependentes do desenrolar de eventos macroeconômicos da economia local.

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