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Após um começo de mês embalado, os preços dos ativos domésticos sofreram uma correção em janeiro. Preocupações com a alta recente da inflação e o aumento na parte longa das Treasuries norte-americanas levaram a um ajuste da curva de juros local, o que elevou o prêmio das NTN-B longas para 4,02% (contra 3,80% no final de 2020). O Real brasileiro não conseguiu se beneficiar do enfraquecimento global do Dólar norte-americano e ficou pressionado praticamente durante todo o período em função do elevado risco fiscal no Brasil. O USD/BRL encerrou o mês de janeiro com desvalorização de 5,1%, cotado a R$ 5,47, e o CDS subiu para 174 pontos (+29 pontos em relação ao mês de dezembro de 2020). No mercado de ações, a continuidade do movimento de rotação para setores de valor e o forte desempenho das commodities, sobretudo o minério de ferro, impulsionou o Ibovespa no começo do mês, que atingiu seu nível mais alto da história. Todavia, o recrudescimento da epidemia de Covid-19 com a volta de lockdowns seletivos em diversas regiões aumentou o receio de que recuperação econômica no mundo seja mais lenta. O índice da bolsa refletiu a correção dos mercados globais e acabou recuando 3,32% no período, aos 115.068 pontos. Vale ressaltar que a atividade no mercado de capitais e o fluxo de investidores estrangeiro para a bolsa brasileira continuaram fortes, registrando ingressos próximos a R$ 24 bilhões no mês.

Em virtude do comportamento recente da epidemia, acreditamos que o movimento dos mercados refletem mais um ajuste de ritmo de recuperação do que uma mudança da sua tendência de alta. No Brasil, a campanha de vacinação se iniciou em 20 de janeiro, cerca de um mês após os países desenvolvidos, mas antes do originalmente planejado. Provavelmente, teremos que conviver por um período mais prolongado com número alto de casos. No médio prazo, começaremos a observar os efeitos da campanha e gradualmente voltaremos a ver a normalização das atividades (e uma redução na percepção de risco).

Em 2021, dada a baixa base de comparação, veremos um forte crescimento de lucros das empresas listadas esperado de 163% (88% excluídas Petrobras e Vale). A taxa Selic deve começar a ser ajustada no 2º trimestre do ano e terminar o ano próxima a 5%. Ainda assim, o nível de juros reais será razoavelmente inferior ao padrão histórico. Tudo indica que teremos um cenário favorável para a bolsa em 2021. Ajudaria muito se o Governo, junto com a nova direção da Câmara de Deputados e do Senado, aproveitasse para aprovar reformas que melhorem o ambiente de negócios e/ou endereçasse a questão fiscal do país. Privatizações seriam bem vindas. O cenário internacional deve continuar positivo para os ativos de risco em geral, em particular dos mercados emergentes, e caberá ao Brasil não desperdiçar o momento positivo.

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