AUTOR

Frederico Sampaio, CFA
Senior Vice President,
Chief Investment Officer,
Portfolio Manager,
Franklin Templeton EM Equity,
Franklin Templeton Brazil

Eduardo Bopp
Vice President,
Portfolio Manager,
Gestor de Ações - Brasil
São Paulo, Brasil
O mês de Julho foi outro bastante positivo para os mercados de ações globais e, no caso do Brasil, não foi diferente. O índice Ibovespa encerrou o período em alta de +3,27% enquanto o índice de empresas de menor capitalização (Small Caps) subiu +3,11%. No mercado de renda fixa, houve um ajuste marginal nas taxas, com destaque para a queda nos vencimentos mais curtos. As NTNBs também seguiram na mesma direção e os papéis fecharam cerca de 10 pontos base, remunerando o investidor com taxas de juros reais ao redor de 5,5%. Já no câmbio, o Real apreciou 1,3% versus o dólar norte americano, e o risco Brasil, medido pelo CDS de 5 anos, recuou 12 pontos base, para 1,65%.
O recesso autoconcedido pelos parlamentares em Brasília contribuiu para um cenário de baixa volatilidade no campo político. Além disso, a indicação dada pelo ministro da fazenda de que a reforma tributária sobre a renda deverá ser discutida de forma mais intensa apenas no final desse ano (e se prolongar até 2024), também contribuiu para a boa performance das ações. Isto porque, ao contrário da reforma dos impostos sobre o consumo, que a princípio está desenhada para ser neutra do ponto de vista de arrecadação, a reforma sobre a renda deve trazer um aumento da carga tributária, com impactos significativos para as empresas listadas.
Enquanto isso, o mercado local continua totalmente focado no tema da queda da taxa Selic. Em nossas interações recentes com as empresas, é praticamente consenso a expectativa de um segundo semestre mais positivo em virtude da queda da taxa de juros. Embora na prática essa relação não costume ser tão direta como se deseja, é inegável que, ao menos no que diz respeito às despesas financeiras, essa redução deverá trazer um alívio importante nos próximos trimestres. Não por acaso, as expectativas para o crescimento de lucros das empresas em 2024 e 2025 vêm se expandindo de forma consistente quando excluídos alguns nomes do setor de commodities. A melhora de sentimento também se permeou para outros setores da economia. O índice de confiança dos consumidores medido pela Fundação Getúlio Vargas voltou a expandir e, a agência de classificação de risco Fitch Ratings também elevou a nota do Brasil.
Com a recuperação recente, nosso time de gestão enxerga o Ibovespa negociando próximo a 1 desvio padrão abaixo de sua média histórica. Da mesma forma, a alocação em ações, tanto por parte dos investidores locais quanto por parte dos estrangeiros, apesar de vir se expandindo, ainda segue em patamares relativamente baixos. Como de costume, entendemos que a continuidade de políticas responsáveis e o abandono de vez do flerte com medidas populistas serão determinantes para a consolidação dos ganhos de credibilidade e para ditar o ritmo da melhora daqui para a frente.
QUAIS SÃO OS RISCOS?
Este material é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento ou oferta para a aquisição de cotas de fundos ou outros investimentos, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.
