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Em fevereiro, dando continuidade ao mês anterior, foi registrada uma forte entrada de investidores estrangeiros na bolsa local (R$ 28 bilhões). O pano de fundo, mais uma vez, foi a queda das bolsas internacionais e a alta nos preços das commodities. O fato novo no mês foi o início do conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia, dois importantes produtores de petróleo, trigo e de diversas outras matérias-primas. O receio de descontinuidade no fornecimento desses produtos alimentou um forte movimento de alta dos preços. O Refinitiv/CoreCommodity CRB Index registrou alta de +5,5%, com destaque para o Brent, que se valorizou +10,7%. O índice S&P 500 caiu -3,15% no mês. O índice Ibovespa subiu +0,90%, na esteira da valorização do petróleo e do minério de ferro. O renovado receio de maior inflação deslocou a curva de juros para cima, com os vértices curtos precificando a Selic atingindo 13%. Os prêmios das NTN-Bs ficaram próximos da estabilidade. O Real brasileiro se valorizou +3%, com o Dólar norte-americano se aproximando da marca de R$ 5,00.

Uma observação mais atenta do comportamento do índice Ibovespa mostra que houve uma grande disparidade entre setores. Enquanto houve valorização do índice geral, o mesmo não ocorreu com o índice de small caps, que recuou -5,10% no período. Setores como construção civil, indústrias e infraestrutura recuaram mais de 10% cada. A despeito dos receios com juros e inflação, acreditamos que o comportamento ainda reflete a atividade de resgates de fundos de ações e multimercados, que continuou acentuada no período (-R$ 9,3 bilhões e -R$ 13,8 bilhões, respectivamente).

É dificil prever a duração e profundidade das complicações resultantes dos eventos geopolíticos na Ucrânia. No entanto, pode-se afirmar que o país está em uma posição privilegiada, visto que é o 4º maior exportador global de commodities e possui recursos que podem insular o país dos maiores custos de energia e fertilizantes. Por fim, é possível que as sanções aplicadas à Rússia desloquem a demanda para produtos brasileiros. A lista é extensa. O petróleo, materiais básicos e agricultura representam cerca de 45% do índice. O aumento dos preços das commodities leva analistas a elevarem as previsões de lucros para as empresas. A bolsa brasileira ainda se encontra em patamar historicamente baixo na relação Preço/Lucro projetada para 12 meses-8,3x vs. 11,5x da média histórica.



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