PALESTRANTES

Frederico Sampaio, CFA
Senior Vice President,
Chief Investment Officer
Gestor de Ações - Brasil
São Paulo, Brasil
Em outubro, a despeito da queda acumulada nos últimos meses, vimos nova desvalorização dos ativos domésticos. O pano de fundo continua sendo a desancoragem fiscal combinada com surpresas negativas nos índices de preços. Os últimos desenvolvimentos políticos consagraram a flexibilização do teto de gastos. Nesse contexto, a despeito da aceleração da alta da Selic pelo Banco Central, a curva de juros se deteriorou ainda mais e passou a precificar altas de 150 pontos na taxa básica nas próximas 3 reuniões. Os prêmios das NTN-Bs saltaram mais de 50 pontos, com o papel de vencimento 2050 pagando 5,5% de juros reais. O MSCI Brasil foi destaque negativo no quadro internacional, caindo 11,4%, enquanto o Real brasileiro sofreu nova desvalorização (-3,6%), com o Dólar cotado em R$ 5,63.
Definitivamente, não conseguiremos associar os acontecimentos nos preços das ações às questões específicas das empresas. A dinâmica política se sobrepõe a qualquer dinâmica corporativa individual. Em um contexto de incertezas e falta de visibilidade de cenário, a sensação de descontrole das contas públicas gera maiores desvalorizações cambiais, que alimentam a inflação e, por fim, os juros futuros. Maiores taxas de desconto nos modelos de fluxo de caixa descontado justificam reduções dos valores justos das ações.
A expectativa da taxa SELIC no patamar de 12% ao ano (implícita na curva de juros) motiva resgates dos fundos de ações e multimercados (MM) em benefício dos fundos de renda fixa conservadores. Em outubro, investidores domésticos retiraram R$ 12,5 bilhões de fundos multimercados e R$ 5,7 bilhões de fundos de ações. Em setembro, esses valores já tinham sido recordes (R$ 13,4 bi). As cotações exageradamente deprimidas na bolsa refletem essa liquidação. Quem se beneficia são os investidores estrangeiros, que registraram compras de R$ 12,4 bilhões no mês.
Acreditamos que o patamar atual dos preços não é condizente com os fundamentos das empresas a despeito da abrupta mudança do quadro de juros. O nível do múltiplo preço/lucro projetado (7,3x) está demasiadamente descontado abaixo de 2 desvios padrão da média histórica de 11,5x. Ainda que ocorram revisões negativas de lucros projetados, há grande margem de segurança nos preços. Passada a turbulência e a onda de resgates, os preços devem novamente convergir para seus (saudáveis) fundamentos.
Este material é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento ou oferta para a aquisição de cotas de fundos ou outros investimentos, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.
