PALESTRANTES

Frederico Sampaio, CFA
Senior Vice President,
Chief Investment Officer,
Portfolio Manager,
Franklin Templeton EM Equity,
Franklin Templeton Brazil

Eduardo Bopp
Vice President,
Portfolio Manager,
Gestor de Ações - Brasil
São Paulo, Brasil
Após um início de 2023 bastante turbulento, entramos em 2024 com perspectivas bem melhores do que aquelas que tínhamos há um ano. A retração nos índices de inflação ao redor do globo deve permitir que a maior parte dos bancos centrais reduzam suas taxas básicas de juros, deixando a política monetária menos restritiva. O crescimento econômico também tem se mostrado mais resiliente do que o imaginado inicialmente com a consequente revisão para cima dos PIBs esperados em diferentes economias.
No Brasil, essas duas dinâmicas também estiveram presentes - com o benefício adicional de um certo controle nos gastos públicos com o novo arcabouço fiscal apresentado no primeiro semestre do ano passado. Essa melhora acabou sendo reconhecida pelas agências de risco internacionais e que culminaram com a elevação do nosso rating soberano pela Standart & Poors de BB- para BB, embora ainda abaixo do grau de investimento (BBB-). Assim, os mercados terminaram apresentando um desempenho bastante positivo. O Ibovespa subiu 5,4% em dezembro, para fechar o ano com ganho de 22,3%. Nos mercados desenvolvidos, o índice S&P500 encerrou 2023 com alta de 24,2%. O Real apreciou 1,4% em dezembro e quase 9% no ano como um todo, enquanto as taxas de juros nominais reduziram cerca de 300 bps nos vértices intermediários ao longo dos últimos 12 meses.
Para o ano que se inicia vemos muitas oportunidades, mas igualmente outros tantos desafios. Afora os riscos geopolíticos, o cenário global tende a continuar benigno no curto prazo. Mesmo que o FED não ratifique todo o corte de juros embutido pelo mercado de Treasuries, como mencionado acima, os índices de inflação estão se estabilizando em níveis razoáveis e mais próximos de sua meta. Além disso, o mercado de trabalho, outro ponto de constante atenção pelo banco central, vem mostrando uma importante distensão com o aumento da imigração.
Por aqui, o Copom deve continuar cortando a taxa Selic ao ritmo de 50 pontos básicos por reunião. Esse duplo alívio na política monetária costuma ser favorável à entrada de recursos para renda variável, com a ressalva apenas de que a projeção de fluxos de investimento é normalmente uma tarefa desafiadora e bastante imprevisível. Mas com a política monetária um pouco mais frouxa, já se fazendo sentir por aqui (lembrando que o Brasil está mais adiantado que os países desenvolvidos no corte de juros), o principal risco ao crescimento doméstico viria de um choque externo oriundo de uma desaceleração mais forte nos EUA ou China. Esse, entretanto, não é nosso cenário base.
Pelo contrário. Os dados recentes têm apontado para uma maior probabilidade de “pouso suave” da economia americana. Como de costume, nosso calcanhar de Aquiles são as contas fiscais. Embora seja louvável a ambição do ministro da fazenda de manter a meta de déficit zero para o ano, nos parece ser apenas uma questão de tempo de quando ela será mudada e, mais importante, a forma como será feita essa alteração. Com a projeção de receitas crescentes de royalties e impostos nos anos à frente, nosso maior desafio parece estar nos próximos dois anos. Cabe a nós, novamente, não sucumbirmos às tentações dos gastos de curto prazo e perder, novamente, a oportunidade de voltarmos aos trilhos. Outros pontos importantes e já mencionados em cartas anteriores, como a piora na governança das empresas estatais e o desejo ideológico de reverter medidas que conferiram maior dinamismo à atividade econômica também merecem nossa total atenção.
Quais são os riscos?
Este material é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento ou oferta para a aquisição de cotas de fundos ou outros investimentos, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.
