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Contrariando as expectativas iniciais mais otimistas para o período pós-eleitoral, em novembro houve forte deterioração dos ativos financeiros domésticos. O Ibovespa fechou em queda de 3,06%, enquanto o índice de empresas de menor capitalização recuou 11,13%. A curva de juros personificou o estresse causado pela sinalização de gastos desenfreados do novo governo e chegou a eliminar a expectativa de queda de juros esperada anteriormente. As taxas fecharam o mês com deslocamento médio de 100 pontos base acima dos fechamentos de outubro. As NTNBs também seguiram na mesma direção e os papéis voltaram a remunerar com taxas de juros reais de 6%. Em contrapartida, os principais índices da bolsa mundial operaram em forte alta, com destaque para o S&P que subiu 5,38% e para os índices de bolsa chineses com altas de até 29% (H shares). O Real ficou próximo da estabilidade versus o dólar.

Passado o período de campanha eleitoral e não havendo mais os incentivos para a adoção de retóricas populistas, a expectativa do mercado (e nossa) era de que os representantes do novo governo flexibilizassem o teto de gastos, mas sinalizassem de alguma forma consciência com a situação precária das contas públicas. Não foi o que aconteceu. A proposta da PEC da transição tomou enorme proporção e, da forma proposta, se configura uma volta a um passado de gastança desenfreada. Na falta de alguém que verbalize preocupação com as contas públicas, há o receio que a inflação volte a se desancorar e os juros futuros reagiram de acordo.

Ainda é muito cedo para afirmar que o arcabouço econômico do novo Governo será realmente nesse modelo “Dilma Roussef”, mas decerto o estrago nos preços já foi causado. A queda de juros implícita na curva para o segundo trimestre de 2023 virou uma hipótese muito menos provável. A potencial “lua de mel” com os mercados que proporcionaria valorização dos ativos (moeda e bolsa) e queda dos juros foi desperdiçada e não enxergamos qual foi o ganho para justificar essa postura. A única certeza é que os juros estão mais altos e que o potencial fluxo de investidores foi desperdiçado. Nesse sentido, os papéis de empresas ligadas a setores mais domésticos tiveram fortes quedas na casa de 15% a 30%. Na ponta contraria, os sinais de flexibilização da política de Covid zero na China alimentaram as cotações das commodities e dos seus produtores. VALE e siderúrgicas subiram cerca de 30% e seguraram a queda do Ibovespa, e impediram a desvalorização do Real.

Com a queda significativa das cotações, o Ibovespa voltou a negociar próximo a 6x o lucro projetado. Nesse patamar a relação preço/lucro está extremamente descontada e bem abaixo da média histórica de 11,5x. A definição da equipe econômica vai ser importante na determinação se o patamar mais descontado será um novo normal ou se haverá uma recuperação em direção a média histórica.



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