PALESTRANTES

Frederico Sampaio, CFA
Senior Vice President,
Chief Investment Officer
Gestor de Ações - Brasil
São Paulo, Brasil
Em setembro o mercado doméstico mais uma vez se descolou do internacional. Na esfera global, a postura mais firme do FED fez a curva de juros americana se deslocar paralelamente cerca de 40 pontos base para cima (juros de 10 anos subiram de 3,30% para 3,60%). Em relação às bolsas, o índice dos países desenvolvidos (MSCI DM) recuou 7,6%, e o de emergentes -13,6%, ambos em dólar. Nesse contexto, o Ibovespa subiu em reais 0,47%, e a curva de juros se movimentou recuando, de forma oposta à americana (DI de 10 anos caiu de 12% para 11,80%). Além disso, é importante ressaltar que o período apresentou significativa desvalorização das commodities, especialmente do petróleo e matérias primas metálicas.
Enquanto o cenário internacional é dominado por preocupações de inflação alta combinada a receios de recessão, o cenário doméstico se beneficia de um quadro econômico relativamente mais tranquilo. Diferentemente do que se vê nos EUA, o Banco Central brasileiro parece ter chegado no fim do ciclo de altas dos juros, e os índices de preços têm registrado deflação. Da mesma forma, a atividade se mostra mais firme que o esperado e o crescimento do PIB tem sido revisto para cima, cerca de 3% para 2022.
Outro tema que se aproxima de um desfecho é o da incerteza eleitoral, que no primeiro turno, trouxe uma surpresa positiva para os mercados. Embora as pesquisas apontassem para uma vitória da esquerda na eleição presidencial por larga margem (acima de 10%), a realidade se provou muito mais apertada, com vantagem de apenas 5% para Lula sobre o Presidente Bolsonaro. Além disso, a eleição no senado permitiu aumento relevante da representatividade da ala conservadora, e tal composição foi comemorada pelos investidores por servir de contrapeso para eventuais medidas populistas que representariam retrocessos no arcabouço fiscal. O receio era que uma vitória acachapante da oposição legitimasse uma agenda econômica populista que prega o fim do teto de gastos sem âncora fiscal alternativa, a reversão da reforma trabalhista, aumento de despesas para gastos correntes, e assim por diante.
A eleição presidencial não se definiu, mas a nova composição do legislativo gera maior necessidade de negociação para se aprovar medidas quórum qualificado, como emendas constitucionais. Independente do resultado, a melhor estrutura de pesos e contrapesos formada reduz o risco de medidas radicais.
Quais são os riscos?
Este material é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento ou oferta para a aquisição de cotas de fundos ou outros investimentos, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.
