PALESTRANTES

Frederico Sampaio, CFA
Senior Vice President,
Chief Investment Officer,
Portfolio Manager,
Franklin Templeton EM Equity,
Franklin Templeton Brazil

Eduardo Bopp
Vice President,
Portfolio Manager,
Gestor de Ações - Brasil
São Paulo, Brasil
Após uma sequência mensal positiva de valorizações, os ativos brasileiros sofreram forte correção de preços no mês de agosto - principalmente afetados pelo ambiente macro global. Notadamente, a alta da curva de juros nos Estados Unidos desencadeou um movimento de aversão a risco que reverberou no mercado doméstico. No mês, a bolsa brasileira registrou saída de investimentos estrangeiros superior a R$ 13 bilhões, a maior saída mensal desde 2020. Nesse contexto, o Real (BRL) se desvalorizou 4,8% frente ao Dólar (USD), a parte longa da curva de juros doméstica se deslocou cerca de 30 pontos base para cima e o índice Ibovespa caiu 5,09%. A desvalorização dos ativos financeiros não foi privilégio brasileiro e os demais mercados emergentes e desenvolvidos viram suas bolsas se desvalorizarem também. Nem mesmo o início dos cortes da taxa Selic pelo Banco Central foi suficiente para impedir a queda.
Olhando para o quadro externo e ponderando o fluxo de notícias domésticas, resolvemos reduzir apostas mais arriscadas da carteira para esperar maior visibilidade dos impactos das medidas que vem sendo anunciadas. Especificamente, a temporada de resultados corporativos do segundo trimestre pintou um quadro ainda delicado para os setores de consumo e acesso ao crédito. Ainda que o PIB venha surpreendendo positivamente, os investidores tendem a revisar para baixo as expectativas de lucros corporativos de curtíssimo prazo (com mais concentração de revisões nos setores ligados aos temas citados). Além disso, as propostas para aumento de arrecadação enviadas pelo Governo para o Congresso aumentam as incertezas quanto ao ambiente. O fim do mecanismo do juros sobre capital próprio (JCP), a tributação de benefícios fiscais de ICMS, a recuperação do voto minerva no CARF, dentre outras questões, estão em processo de discussão e o resultado final é de difícil visibilidade para os investidores.
Acreditamos que o valuation da bolsa brasileira ainda se encontra bastante descontado, mas as incertezas, tanto globais quanto domésticas, que circundam os mercados, nos tornam mais cautelosos na construção das carteiras dos fundos. Por mais que a taxa Selic tenha começado a cair, enquanto se mantiver em patamares altos, os investidores locais tendem a ficar à margem do mercado. Quanto ao mercado internacional, os investidores estrangeiros dedicados continuam por esperar uma melhor definição da discussão tributária para que então se posicionem de uma forma mais expressiva. Quanto ao cenário à frente, entendemos que a meta de superávit prevista para 2024 é de difícil atingimento e não há vontade política para propor cortes de despesas e privilégios. Claramente, a constante busca por equilíbrio fiscal tem sido pautada por um esforço de arrecadação, mas revestido de uma retórica populista. Da mesma forma, a busca por maior eficiência tributária e por ganhos de produtividade ficou esquecida em meio a todo o contexto político.
Quais são os riscos?
Este material é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento ou oferta para a aquisição de cotas de fundos ou outros investimentos, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.
