PALESTRANTES

Frederico Sampaio, CFA
CIO de Renda Variável,
Franklin Templeton Investimentos Brasil
No mês de agosto houve descolamento entre o comportamento dos ativos brasileiros versus os ativos internacionais. Enquanto, no Brasil, o Ibovespa valorizou 6,16%, e a curva de juros DI se deslocou para baixo cerca de 75 pontos base na média, nos países desenvolvidos as bolsas recuaram entre 4-5% e os papéis de 10 anos do tesouro americano voltaram para o patamar de 3%.
O que nos chama atenção é o forte fluxo de entrada de investidores estrangeiros na bolsa local, o que totalizou em torno de R$ 16 bilhões no último mês. Essa entrada mais recente foge ao padrão do fluxo coincidente com a valorização das commodities. De fato, no período, houve significativa queda nos preços do Petróleo Brent (-12,3%) e de diversas matérias primas importantes para empresas listadas, como o minério de ferro (-15%) e a soja (-8%). A explicação dessa vez, pode ser diferente e mais alvissareira. Por um lado, enquanto vemos uma crescente preocupação com desaceleração econômica nas economias desenvolvidas, no Brasil, as surpresas positivas com a atividade têm levado a revisões da expectativa de crescimento do PIB para algo próximo à 3% em 2022 (antes estimado próximo a 0%). Da mesma forma, as expectativas para inflação para o ano de 2022 e para 2023 foram cortadas significativamente para 6,27% e 5,09% respectivamente, (antes estimado em 9% e 6%). Dado que grande parte do ajuste de juros foi realizado pelo Bacen ao longo de 2021 e 2022, o mercado começa a remover da curva novas altas e a precificar quedas dos juros já no início de 2023.
Conforme descrito em relatórios mensais anteriores, a bolsa brasileira apresenta significativo desconto versus o histórico na métrica preço/lucro projetado. Mesmo com a alta de agosto, o indicador P/L está em 6.3x contra a média histórica de 11,5x. Embora a queda das commodities possa motivar revisões para baixo dos lucros das empresas produtoras, como a petroleiras, mineradoras e siderúrgicas, o PIB mais forte combinado com menores taxas de juros acarretariam revisões para cima dos lucros das empresas ligadas ao mercado doméstico. Com isso, o cenário ficaria bastante positivo para a bolsa local. Em contrapartida, a indefinição fica por conta do cenário após a eleição presidencial que se aproxima.
Quais são os riscos?
Este material é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento ou oferta para a aquisição de cotas de fundos ou outros investimentos, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.
