Ir para o índice

O mês de dezembro se mostrou um pouco mais agitado que o normal. O desempenho dos mercados de ações nos países desenvolvidos foi bastante negativo no período (S&P 500 -5,90%). Como esperado, a política monetária nas principais economias continuou sendo o foco das atenções. O FED permaneceu hawkishapesar dos dados de inflação encorajadores e o aumento das taxas de juros em 50 pbnos EUA representou uma desaceleração em comparação com as reuniões anteriores, mas veio acompanhado de uma sinalização bastante clara de uma taxa terminal mais alta e estável por mais tempo. Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) também abrandou o ritmo de subida para 50 pontos básicos, elevando a taxa de depósito para 2,00% (nível mais elevado desde dezembro de 2008). O BCE também surpreendeu ao sinalizar um intenso aperto monetário para as próximas reuniões, tônica mantida também por outros bancos centrais de mercados desenvolvidos. Na China, o índice de contaminação pela Covid-19 continua no radar e o país sinalizou mais medidas pró-crescimento para estabilizar a economia em meio às esperanças de reabertura, assim como promessas do Banco Central quanto a novas medidas para neutralizar riscos no setor imobiliário.

No Brasil, o Congresso Nacional aprovou em dois turnos, emenda à Constituição que amplia o teto de gastos em aproximadamente 1,5% do PIB apenas para o ano de 2023. Apesar das mudanças propostas serem menores do que as desejadas pela equipe de transição, o impacto fiscal ainda assim é elevado e irá demandar medidas adicionais para conseguir estabilizar a dívida pública. As indicações dos principais nomes para compor o gabinete do governo Lula a partir de 2023 também foram foco de atenção. A confirmações do ex-prefeito Fernando Haddad para a Fazenda e de Aloizio Mercadante no BNDES foram mal recebidas pelo mercado.

Outro ponto que trouxe bastante desconforto foi a facilidade com que a chamada Lei das Estatais foi derrubada na Câmara dos Deputados gerando um cenário de bastante desconfiança, e que refletiu em uma desvalorização do Índice Ibovespa em 2,45% no período, o que reduziu a alta do ano para apenas 4,7%. Já o índice de ações smallcaps caiu 14,8% em 2022. O real depreciou 4,2% no mês, mas ainda conseguiu terminar 2022 com apreciação frente ao dólar norte americano. No mercado de renda fixa, o CDS encerrou dezembro cotado a 254 pontos (+7 pontos no mês e + 50 pontos no ano). A curva de juros real voltou a apresentar alta nos vértices mais longos, com a NTNB 2050 rendendo IPCA+6,22% (+25pbs m/m). No espaço da política monetária, o Banco Central divulgou a ata da última reunião do Copom, quando a autoridade manteve a taxa Selic em 13,75% pela terceira vez consecutiva. Por ora, a estratégia do BC é manter a taxa Selic em patamar restritivo por um período suficientemente prolongado para garantir a convergência da inflação, porém o comitê também sinalizou que “não hesitará em retomar o ciclo de aperto monetário caso o processo desinflacionárionão ocorra conforme o esperado”.

Para 2023 vemos um cenário ainda bastante desafiador e incerto. No exterior os riscos de recessão ainda permanecem altos em meio aos juros das principais economias em território contracionista, o que aumenta as chances de revisões dos lucros das empresas para baixo. Também muito se fala da (potencial) reabertura econômica da China juntamente com a flexibilização da política de Covid-zero. No entanto, o mais provável é que os impactos sejam maiores para o setor de serviços do que o industrial propriamente dito, limitando o impulso na economia global.

No âmbito doméstico, os maiores riscos dizem respeito de como serão percebidas as novas orientações de política econômica e regras fiscais do governo recém eleito, indispensáveis para manter a sustentabilidade das contas públicas, ancorar as expectativas e manter aberta a possibilidade de corte nas taxas de juros pelo Banco Central. Além disso, será preciso encontrar uma forma de encontrar uma saída para a armadilha de crescermos apenas com a concessão de estímulos creditícios artificiais, que possuem baixa efetividade e curta duração.

A boa notícia disso tudo é que a solução desses desafios depende apenas de nós mesmos. Além do Brasil ser uma das economias mais verdes do mundo, o presidente Lula dispõe de grande cacife internacional e tem sido bem recebido pela maioria dos líderes globais. Ou seja, a pré-disposição para se investir no país existe. O que é preciso é uma agenda econômica pró business, controle dos gastos públicos e uma regra fiscal clara e duradoura, capaz de garantir a sustentabilidade da dívida pública.

Um feliz 2023!



Informações legais importantes

Este material foi preparado por outra empresa de gestão, ligada à Franklin Templeton Brasil (FTB), mas constituída de forma independente. As opiniões aqui expressas não necessariamente refletem as da equipe de gestão de investimentos da FTB. A Franklin Templeton Brasil Ltda. não realiza a distribuição ou venda de cotas de Fundos, exceto daqueles de sua própria gestão e para determinados investidores institucionais. Se você tiver qualquer dúvida sobre a forma de aquisição de cotas, procure um distribuidor habilitado. Fundos de investimento não contam com garantia do administrador, do gestor, de qualquer mecanismo de seguro ou fundo garantidor de crédito – FGC. Leia o regulamento antes de investir em fundos. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura.

As opiniões expressas foram elaboradas por equipes de análise ou gestão da Franklin Templeton, sendo os comentários, opiniões e análises apresentados na data de publicação e podendo ser alterados sem aviso prévio. As premissas subjacentes e estas opiniões estão sujeitas a alterações com base no mercado e em outras condições, podendo haver diferenças entre as opiniões das diversas equipes da empresa. As informações fornecidas neste material não têm como objetivo ser uma análise completa de todos os fatos importantes em relação a qualquer país, região ou mercado. Não há garantia de que qualquer previsão, projeção ou previsão na economia, mercado de ações, mercado de títulos ou tendências econômicas dos mercados serão realizadas. O valor dos investimentos e a receita deles podem diminuir ou aumentar, sendo possível que você não recupere o montante total que investiu. O desempenho anterior não é necessariamente indicativo nem garantia de desempenho futuro. Todos os investimentos incluem riscos, inclusive a possível perda do principal.

Qualquer pesquisa e análise contida neste material foi adquirida pela Franklin Templeton para seus próprios fins e pode ser aplicada a esse respeito e, como tal, é fornecida a você acidentalmente. Dados provenientes de fontes terceiras podem ter sido utilizados na preparação deste material e a Franklin Templeton (“FT”) não verificou, validou ou auditou, de forma independente, os referidos dados. Embora as informações tenham sido obtidas de fontes que a Franklin Templeton acredita serem confiáveis, nenhuma garantia pode ser dada quanto à sua exatidão, sendo que tais informações podem estar incompletas ou resumidas e sujeitas a alterações a qualquer momento sem aviso prévio. A menção de quaisquer títulos individuais não deve constituir nem ser interpretada como uma recomendação para adquirir, manter ou vender quaisquer títulos, sendo que as informações fornecidas sobre estes títulos individuais (se houver) não são uma base suficiente para tomar uma decisão de investimento. A FT não se responsabiliza por qualquer perda decorrente do uso destas informações, sendo que a confiança em comentários, opiniões e análises do material fica a critério único do usuário.

Franklin Templeton Brasil Ltda. – Av. Presidente Juscelino Kubitschek, n.º 1.455, 15º andar, cj. 152, São Paulo-SP, CEP 04543-011 – Brasil.

Visite www.franklinresources.com para ser direcionado ao seu site local da Franklin Templeton.

Copyright © Franklin Templeton. Todos os direitos reservados.

CFA® e Chartered Financial Analyst® são marcas registradas do CFA Institute.