Tendências da inflação em mercados emergentesJul 30, 2021

O tema da reflação tem se tornado o principal foco de atenção dos investidores recentemente. Isso é especialmente o caso dos mercados desenvolvidos (DMs), que enfrentam uma rápida aceleração da demanda doméstica em meio à alta nos preços das commodities - incluindo energia.

Mas a situação nos mercados emergentes (EMs) é mais variada. Muitos desses países não possuem o espaço fiscal e o poder dos bancos centrais que os mercados desenvolvidos têm Assim, eles estão vendo uma melhoria mais fraca em seus mercados de trabalho e um estreitamento mais lento em seus hiatos de produção.

Por um lado, a velocidade de recuperação dos mercados emergentes dependerá bastante do progresso de seus respectivos programas de vacinação, já que muitos EMs continuam enfrentando escassez de oferta de vacina. Por sua vez, alguns deles são altamente vulneráveis a choques de preços de commodities, principalmente alimentos, pois esses itens representam uma grande fração de suas cestas de índices de preços ao consumidor (IPC), enquanto outros são mais vulneráveis à volatilidade da taxa de câmbio (FX).

Neste artigo, analisamos as tendências da inflação observadas nos mercados emergentes. Destacamos a vasta heterogeneidade entre regiões e países. Reconhecemos que uma grande parte da história da reflação em mercados emergentes está ligada a efeitos de base baixos a partir de 2020, que são transitórios. Na nossa conclusão, as pressões inflacionárias, no geral, não são uma grande preocupação para os mercados emergentes, mas precisam ser analisadas caso a caso e com ênfase especial nos respectivos hiatos do produto dos países. Com esse objetivo, selecionamos dois países, Indonésia e República Dominicana, para estudar mais a fundo neste artigo. Cada um desses países tem tendências de inflação diferentes e cada país é representativo de um subconjunto mais amplo de mercados emergentes.