“Descolamento” brasileiro continuaAug 31, 2021

No mês de agosto, o movimento de “descolamento” para pior dos preços dos ativos brasileiros continuou presente no cenário. A despeito da continuidade da reabertura da economia e dos excelentes resultados trimestrais das empresas listadas, os mercados incorporaram maiores preocupações com o quadro fiscal/político doméstico aos preços. Nesse contexto, a curva de juros prefixados continuou com seu movimento de deslocamento para cima. Em agosto, os vértices mais longos (com vencimentos superiores a 2024) apresentaram altas entre 80 e 100 pontos base. O movimento foi acompanhado pelos prêmios das NTN-Bs, que aumentaram entre 60 (vencimentos curtos) a 25 (vencimentos longos) pontos no período. O índice Ibovespa apresentou queda de -2,5% no período. O Real brasileiro (BRL) conseguiu se valorizar +1,2% frente ao Dólar americano (USD), que fechou o mês cotado a R$ 5,15.

O comportamento recente dos ativos brasileiros se desviou de seus fundamentos e reflete a falta de clareza quanto ao rumo da gestão da economia brasileira no médio prazo. Para ilustrar: no segundo trimestre de 2021, 78% das empresas listadas apresentaram EBITDA em linha (30%) ou acima (48%) das expectativas; na linha do lucro, 49% das empresas reportaram números superiores em relação às expectativas; e, em função do aumento da percepção de risco, se repetiram situações em que empresas revisaram para melhor suas estimativas de resultados para o ano e, mesmo assim, essas empresas viram seus papéis caírem acentuadamente.

Com a queda dos últimos meses ocorrendo em um cenário de recuperação econômica e de lucros, chegamos em uma situação em que a compressão de múltiplos levou o índice Ibovespa para o nível de 8,3x o lucro projetado para 12 meses. Mesmo se ajustando o índice brasileiro aos pesos dos setores equivalentes no índice S&P 500, a bolsa brasileira chegaria ao múltiplo de 17x contra os 22x da bolsa norte-americana. O fato é que, com a recente realização do mercado, vemos muitas empresas sendo negociadas por múltiplos equivalentes aos vistos no período do grande desastre econômico brasileiro ocorrido durante o governo Dilma. Vale lembrar que, naquele período, houve uma enorme contração do PIB – ao redor de 8% em 3 anos – enquanto o mundo vivia um cenário de estímulos e crescimento.

Parece um enorme exagero.