Vacinação e Reformas Ganham Tração e Impulsionam AtividadeJun 30, 2021

A dinâmica dos mercados domésticos em junho foi, de certa forma, uma continuidade do observado em maio. O PIB continuou sendo revisado para cima, trazendo alívio para os ativos brasileiros com a percepção de menor risco fiscal. O Real brasileiro se descolou das moedas emergentes e apresentou nova valorização, fechando o mês cotado a R$ 4,97 por Dólar (+5% m/m). Esse é o melhor nível da moeda desde março de 2020 e também foi ajudado pela mensagem mais conservadora do Banco Central após implementar um novo aumento de 0,75% na taxa Selic. Na curva de juros, os vértices intermediários apresentaram leve alta e os spreads da NTN-Bs longas tiveram comportamento semelhante (NTNB 2050 +1bps m/m). Para a próxima reunião do COPOM no começo de agosto, as apostas estão divididas entre uma alta de 0,75% e 1,00%.

O índice Ibovespa subiu 0,46% no período, com destaque positivo para o setor de energia (petróleo e derivados). O fluxo externo para investimento em ações se manteve favorável. Nos últimos 30 dias, os ingressos de investimentos estrangeiros na bolsa giraram ao redor de R$ 20 bilhões.

No cenário externo, tivemos algumas surpresas após a reunião do FOMC. Apesar de manter a taxa de juros da economia americana inalterada, alguns membros do comitê se mostraram um pouco mais preocupados com a inflação. A expectativa agora é que os juros dos FED funds comecem a subir já no ano que vem e que tenham pelo menos outros dois aumentos ao longo de 2023. Todavia, com exceção ao Dólar americano que apresentou valorização frente a maioria das moedas, o impacto final no preço dos demais ativos foi baixo. O índice S&P 500 fechou em nova pontuação máxima histórica em 30 de junho e a taxa de juros de 10 anos cedeu.

Em relação à pandemia da COVID-19, apesar de ainda estarmos vendo um alto número de novos casos, a vacinação finalmente ganhou tração. Algumas regiões do país preveem que até meados de setembro, toda população adulta pode ter recebido pelo menos a primeira dose de um imunizante. Dessa forma, os setores ligados à reabertura, como consumo discricionário, continuaram performando bem.

Já setores mais afetados pela taxa de juros, como construção civil e utilities (bond proxies), apresentaram desempenho negativo.

No que diz respeito à agenda de reformas, mais dois importantes passos foram dados: a aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei que permite a capitalização (privatização) da Eletrobrás e o envio da segunda fase da proposta de reforma tributária ao legislativo federal.

Para os meses à frente, o cenário macro continua construtivo. Os indicadores econômicos continuam apontando para uma retomada mais disseminada do nível de atividade e alguns pontos mais polêmicos da reforma tributária devem ser revisados pelo Congresso Nacional. Como não devemos ter novidades no cenário externo no curtíssimo prazo, o ponto que requer maior atenção, no sentido de atrapalhar o bom momento atual, vem dos céus - ou melhor, não está vindo. Como temos aproximadamente 70% de nossa matriz elétrica oriunda de geração hidráulica, períodos de prolongada escassez de chuvas, como o enfrentado atualmente, costumam trazer consequências desagradáveis. Nosso cenário base é de apenas um choque temporário no preço da energia devido ao acionamento de usinas termelétricas; mas um agravamento da situação corrente pode trazer riscos em relação ao nível de atividade esperado a frente.